Tempo de leitura: 6 minutos
Com a volta às aulas, é comum que pais fiquem mais atentos à saúde das crianças.
Nesse período, mudanças de rotina e maior convivência favorecem o aparecimento de infecções, especialmente respiratórias. Por isso, informação e preparo ajudam a atravessar o início do ano letivo com mais tranquilidade.

Adoecer faz parte: o que é normal na volta às aulas?
É importante reforçar um ponto essencial: é normal que crianças fiquem doentes, especialmente no início do ano letivo. Dessa forma, o contato com novos vírus e bactérias faz parte do amadurecimento do sistema imunológico e, na maioria das vezes, essas infecções são leves e autolimitadas.
Portanto, o objetivo da prevenção na volta às aulas não é impedir que a criança adoeça, mas sim reduzir o risco de crises respiratórias mais intensas, complicações e internações desnecessárias. Quando os pais sabem o que é esperado para a idade e reconhecem sinais de alerta, o cuidado se torna mais seguro e menos angustiante.
Por que a volta às aulas costuma vir acompanhada de mais doenças?
Após as férias, as crianças retornam a ambientes coletivos, com maior proximidade física e circulação de vírus respiratórios. Além disso, alterações no sono e na alimentação durante o recesso escolar podem impactar temporariamente a imunidade.
Como consequência, quadros como resfriados, gripes e viroses respiratórias tornam-se mais frequentes nas primeiras semanas. Isso faz parte do processo natural de adaptação e, isoladamente, não indica problema de saúde.
Organização da rotina: um aliado do sistema imunológico
Embora não evite completamente as infecções, uma rotina bem organizada ajuda o organismo a responder melhor aos desafios do dia a dia. Por isso, ajustes graduais antes do início das aulas são recomendados.
Entre eles:
- estimular vida ao ar livre
- regular os horários de sono;
- garantir tempo adequado de descanso;
- retomar horários fixos para refeições;
- limitar telas à noite;
- equilibrar momentos de estudo e lazer.
Essas medidas favorecem recuperação mais rápida quando a criança adoece.
Sono adequado: apoio à recuperação e ao bem-estar
O sono tem papel fundamental na recuperação do organismo. Durante a noite, o sistema imunológico se reorganiza e responde melhor às infecções.
Crianças que dormem pouco tendem a apresentar mais irritabilidade, dificuldade de concentração e maior tempo de recuperação quando ficam doentes. Assim, manter uma rotina regular de sono ajuda a atravessar o período escolar com mais equilíbrio.
Alimentação e hidratação: suporte, não solução milagrosa
Uma alimentação equilibrada não impede que a criança fique doente, mas oferece suporte importante ao organismo. Na volta às aulas, vale priorizar:
- frutas, legumes e verduras;
- refeições regulares;
- boa ingestão de líquidos;
- redução de ultraprocessados.
Esses hábitos contribuem para uma recuperação mais rápida e para melhor disposição no dia a dia.
Vacinação: proteção contra complicações
Manter o calendário vacinal atualizado é uma das medidas mais eficazes para reduzir complicações, não para eliminar completamente as infecções.Vacinas ajudam a prevenir formas graves de doenças respiratórias e suas consequências.
Antes da volta às aulas, é importante conferir a caderneta e esclarecer dúvidas com o pediatra ou pneumologista pediátrico.
Higiene: reduzir transmissão, não eliminar riscos
Ensinar hábitos de higiene ajuda a diminuir a transmissão de vírus no ambiente escolar. No entanto, é importante alinhar expectativas: essas medidas reduzem o risco, mas não eliminam totalmente as infecções.
Entre os cuidados mais relevantes estão:
- lavar as mãos com frequência;
- usar álcool em gel quando necessário;
- cobrir a boca ao tossir ou espirrar.
Esses hábitos devem ser estimulados sem gerar medo ou rigidez excessiva.
Atenção especial às crianças com doenças respiratórias
Crianças com asma, rinite ou histórico de internações respiratórias merecem acompanhamento mais próximo. Nesses casos, o foco não é evitar qualquer sintoma, mas evitar descompensações.
Algumas orientações importantes incluem:
- manter o tratamento preventivo prescrito;
- não suspender medicações ao primeiro sinal de melhora;
- reconhecer sinais precoces de piora;
- informar a escola sobre o diagnóstico;
- garantir acesso à medicação de resgate, quando indicada.
Com esse cuidado, a maioria das crianças segue a rotina escolar normalmente.
Ambiente doméstico: conforto respiratório no dia a dia
O ambiente da casa pode influenciar a intensidade dos sintomas respiratórios.
Por isso, alguns ajustes simples ajudam a tornar o período escolar mais confortável:
- manter os ambientes ventilados;
- evitar mofo e excesso de umidade;
- reduzir poeira acumulada;
- evitar fumaça de cigarro.
Essas medidas não impedem infecções, mas reduzem agravamentos.
Comunicação com a escola: parte do cuidado
Manter diálogo aberto com a escola é essencial, especialmente para crianças com condições respiratórias conhecidas.
Compartilhar informações permite respostas mais adequadas quando a criança apresenta sintomas.
Os pais podem:
- informar diagnósticos relevantes;
- entregar planos de ação, quando houver;
- orientar sobre sinais de alerta;
- alinhar expectativas com professores e cuidadores.
Essa parceria traz segurança para todos.
Quando procurar avaliação médica?
Nem toda infecção exige consulta imediata.
No entanto, alguns sinais indicam necessidade de avaliação:
- dificuldade respiratória;
- chiado persistente;
- cansaço excessivo;
- piora progressiva dos sintomas;
- uso frequente de medicação de resgate;
- histórico de crises graves.
Nesses casos, buscar orientação evita complicações.
Checklist prático para pais
- ✔ rotina de sono ajustada
- ✔ alimentação organizada
- ✔ vacinação conferida
- ✔ medicações revisadas
- ✔ escola informada, se necessário
- ✔ ambiente doméstico adequado
Esse checklist ajuda a começar o ano letivo com mais tranquilidade.
A volta às aulas não deve ser encarada com medo. Ficar doente faz parte da infância e do amadurecimento do sistema imunológico.
O cuidado adequado está em reconhecer o que é esperado, acompanhar a evolução dos sintomas e buscar ajuda quando algo foge do padrão. Com informação, acompanhamento médico e parceria entre família e escola, é possível atravessar o ano letivo com mais segurança, menos complicações e muito mais tranquilidade.
👉 Para mais orientações sobre saúde respiratória infantil, visite:
➡️ Site oficial da Pulmolab
➡️ Blog Pulmolab
➡️ Instagram Dr. Wilson Rocha
FAQ – Volta às aulas e saúde infantil
1. A volta às aulas sempre aumenta as doenças?
Não necessariamente, mas o risco é maior sem prevenção adequada.
2. Criança saudável também precisa de preparação?
Sim. A prevenção é importante para todas as crianças.
3. Dormir pouco pode afetar a imunidade?
Sim. O sono é essencial para o bom funcionamento do sistema imunológico.
4. Vacinação ajuda a reduzir faltas escolares?
Sim. Vacinas previnem doenças que causam afastamento da escola.
5. Crianças com asma precisam de cuidados extras?
Sim. O controle adequado reduz crises no ambiente escolar.
6. Quando procurar um especialista?
Quando há sintomas persistentes ou histórico de crises respiratórias.