Tempo de leitura: 7 minutos
A APLV, ou alergia à proteína do leite de vaca, é uma das alergias alimentares mais comuns nos primeiros anos de vida acometendo até 2% das crianças. Ela acontece quando o sistema imunológico reage de forma inadequada às proteínas presentes no leite de vaca.
Embora seja relativamente frequente na infância, a APLV ainda gera muitas dúvidas. Afinal, ela pode provocar sintomas digestivos, respiratórios e de pele, além de ser frequentemente confundida com a intolerância à lactose. Entender essa diferença é o primeiro passo para buscar o tratamento adequado.

O que é a APLV?
A sigla APLV significa Alergia à Proteína do Leite de Vaca.
Nesse caso, o organismo identifica proteínas do leite como se fossem uma ameaça. Como consequência, o sistema imunológico desencadeia uma resposta inflamatória que pode afetar diferentes partes do corpo.
Essa reação inicia quase sempre no primeiro ano de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Raramente uma APLV se inicia depois de 1 ano de idade.
Além disso, a APLV pode ocorrer tanto em bebês alimentados com fórmula quanto em crianças em aleitamento materno exclusivo, já que pequenas quantidades das proteínas do leite ingeridas pela mãe podem passar para o leite materno.
APLV é a mesma coisa que intolerância à lactose?
Não.
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre os pais e também uma das principais causas de confusão.
Embora ambas estejam relacionadas ao leite, tratam-se de condições completamente diferentes.
Na APLV, existe uma reação do sistema imunológico contra as proteínas do leite. Já na intolerância à lactose, o problema está na dificuldade de digerir a lactose, que é o açúcar presente no leite.
Por isso, a intolerância costuma causar sintomas apenas no sistema digestivo, enquanto a alergia pode afetar diferentes órgãos.
Veja algumas diferenças:

Por que a APLV acontece?
Ainda não existe uma única causa conhecida.
Na verdade, diversos fatores parecem contribuir para o desenvolvimento da alergia alimentar.
Entre eles estão:
- Predisposição genética;
- Histórico familiar de alergias;
- Alterações na resposta imunológica;
- Fatores ambientais;
- Microbiota intestinal.
Além disso, a presença de outras doenças alérgicas, como dermatite atópica, rinite ou asma, pode aumentar a chance de alergias alimentares.
Quais são os sintomas da APLV?
Os sintomas variam bastante de uma criança para outra.
Alguns aparecem poucos minutos após a ingestão do leite. Outros podem surgir somente horas ou até dias depois.
Além disso, nem toda criança apresenta os mesmos sinais.
Sintomas digestivos
O sistema digestivo costuma ser um dos primeiros afetados.
Os sintomas podem incluir:
- Vômitos;
- Diarreia;
- Sangue nas fezes;
- Cólica intensa;
- Refluxo persistente;
- Dor abdominal;
- Recusa alimentar;
- Dificuldade para ganhar peso.
Sintomas de pele
A pele também pode ser acometida.
Entre as manifestações mais frequentes estão:
- Urticária;
- Coceira;
- Vermelhidão;
- Dermatite atópica;
- Inchaço dos lábios ou das pálpebras.
Sintomas respiratórios
Embora sejam menos frequentes, sintomas respiratórios também podem ocorrer.
Entre eles:
- Tosse;
- Chiado no peito;
- Nariz escorrendo;
- Congestão nasal;
- Dificuldade para respirar.
É importante destacar que sintomas respiratórios isolados raramente indicam APLV. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a verdadeira causa.
Quando suspeitar de APLV?
Nem toda cólica ou diarreia significa alergia ao leite.
Entretanto, alguns sinais chamam mais atenção, principalmente quando aparecem de forma repetida após a ingestão de leite ou derivados.
Vale procurar avaliação médica quando a criança apresenta:
- Sintomas recorrentes após consumir leite;
- Mais de um sistema acometido (pele, intestino e respiração);
- Sangue nas fezes;
- Baixo ganho de peso;
- Dermatite atópica intensa;
- Histórico familiar importante de alergias.
Além disso, qualquer suspeita deve ser investigada por um profissional de saúde.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um único exame capaz de confirmar todos os casos de APLV.
O diagnóstico é baseado principalmente em:
- História clínica detalhada;
- Avaliação dos sintomas;
- Exame físico;
- Teste de exclusão e reintrodução do leite, quando indicado;
- Exames complementares em situações específicas.
Por isso, retirar leite da alimentação por conta própria não é recomendado.
Como é o tratamento atualmente?
O tratamento depende do tipo de alergia e da idade da criança.
Na maioria dos casos, consiste na exclusão das proteínas do leite da alimentação pelo tempo determinado pelo médico.
Quando o bebê utiliza fórmula infantil, o profissional poderá indicar:
- Fórmulas extensamente hidrolisadas;
- Fórmulas de aminoácidos, nos casos mais graves.
As fórmulas à base de soja podem ser utilizadas em algumas situações específicas, mas não são indicadas para todos os pacientes.
Além disso, crianças em aleitamento materno geralmente continuam sendo amamentadas. Quando necessário, a mãe pode receber orientação para retirar leite e derivados da própria alimentação.
A criança vai ter APLV para sempre?
Na maioria dos casos, não.
A boa notícia é que grande parte das crianças desenvolve tolerância às proteínas do leite ao longo dos primeiros anos de vida.
Por isso, o acompanhamento médico é importante para avaliar o momento adequado de reintroduzir esses alimentos.
Essa decisão deve ser feita apenas com orientação profissional.
Quando procurar um especialista?
Procure avaliação com um pediatra ou alergista quando houver:
- Suspeita de alergia alimentar;
- Sangue nas fezes;
- Reações repetidas ao leite;
- Dificuldade para ganhar peso;
- Sintomas respiratórios associados à alimentação;
- Histórico familiar importante de alergias.
Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de um acompanhamento adequado.
Conclusão
A APLV é uma condição relativamente comum na infância, mas ainda cercada de dúvidas. Embora possa causar sintomas variados, ela tem diagnóstico e tratamento bem estabelecidos quando acompanhada por profissionais capacitados.
Mais importante do que retirar alimentos por conta própria é entender o que realmente está acontecendo com a criança. Assim, é possível evitar restrições desnecessárias, garantir um crescimento saudável e oferecer mais qualidade de vida para toda a família.
Se você suspeita que seu filho possa ter APLV ou apresenta sintomas persistentes após consumir leite, procure avaliação médica especializada.
👉 Saiba mais sobre saúde respiratória e alergias infantis:
FAQ sobre APLV
O que é APLV?
APLV é a alergia à proteína do leite de vaca. Ela acontece quando o sistema imunológico reage de forma inadequada às proteínas presentes no leite.
APLV é a mesma coisa que intolerância à lactose?
Não. A APLV envolve o sistema imunológico. Já a intolerância à lactose acontece quando o organismo tem dificuldade para digerir o açúcar do leite.
Quais são os sintomas mais comuns da APLV?
Os sintomas podem incluir vômitos, diarreia, sangue nas fezes, cólicas, urticária, dermatite, chiado e dificuldade para ganhar peso.
Bebê em aleitamento materno pode ter APLV?
Sim. Em alguns casos, pequenas quantidades das proteínas do leite consumidas pela mãe podem passar para o leite materno e causar sintomas.
APLV pode causar sintomas respiratórios?
Pode, embora seja menos comum. Tosse, chiado e dificuldade para respirar podem surgir, principalmente quando há outros sintomas associados.
Como é feito o diagnóstico da APLV?
O diagnóstico considera os sintomas, a história clínica e a resposta à retirada e reintrodução do leite, quando o médico considera esse processo seguro.
Posso retirar leite da alimentação da criança por conta própria?
Não. A exclusão sem orientação pode causar deficiências nutricionais e dificultar o diagnóstico correto.
Qual fórmula pode ser usada em crianças com APLV?
O médico pode indicar fórmula extensamente hidrolisada ou, nos casos mais graves, fórmula de aminoácidos. A escolha depende de cada criança.
A criança com APLV vai poder consumir leite novamente?
Na maioria dos casos, sim. Muitas crianças desenvolvem tolerância ao leite nos primeiros anos de vida. Contudo, a reintrodução deve seguir orientação médica.
APLV tem cura?
Muitas crianças deixam de apresentar a alergia com o crescimento. Por isso, o acompanhamento regular ajuda a avaliar o momento certo para testar a tolerância.