Tempo de leitura: 7 minutos
Animais de estimação podem causar ou agravar alergias em crianças, especialmente quando há predisposição genética ou histórico familiar. Ainda assim, isso não significa que a convivência e a alergia sejam incompatíveis.
Embora os pets liberem proteínas que podem desencadear reações, há maneiras seguras de reduzir os sintomas e manter a criança saudável.
Mas afinal: quando o problema é realmente o animal — e quando não é?

O que realmente causa alergia: os pets ou suas proteínas?
A alergia não é causada pelo pelo em si, mas pelas proteínas presentes na saliva, urina, descamação da pele e secreções dos animais.
Essas partículas microscópicas ficam suspensas no ar, depositam-se em tecidos e circulam pela casa com facilidade.
Assim, elas podem desencadear sintomas respiratórios ou de pele em crianças sensíveis.
Além disso, essas proteínas variam de acordo com o animal:
- Gatos produzem proteínas altamente alergênicas (como a Fel d 1).
- Cães liberam alérgenos diferentes, menos potentes, mas igualmente capazes de provocar sintomas.
- Roedores e coelhos também podem liberar partículas que sensibilizam o sistema respiratório.
- Aves, apesar de menos comuns, podem transmitir poeiras orgânicas irritantes.
Portanto, a chave é entender que não é o pelo, é a proteína. E isso muda toda a abordagem de prevenção.
Quando os animais agravam alergias já existentes?
Se a criança já tem um quadro alérgico, o contato com animais pode intensificar:
- Rinite alérgica
- Conjuntivite alérgica
- Asma
- Dermatite atópica
Além disso, a exposição constante ao alérgeno dentro de casa mantém o sistema imunológico ativado.
Consequentemente, isso piora crises respiratórias e dificulta o controle da alergia.
Por isso, crianças com episódios frequentes de chiado, tosse persistente, nariz entupido ou coceira nos olhos devem ser avaliadas por um pneumologista pediátrico e um alergista.
Animais causam alergia em crianças? A ciência responde.
A predisposição à alergia é genética, mas a exposição aos alérgenos ambientais influencia o desenvolvimento dos sintomas.
Curiosamente, estudos mostram resultados diferentes dependendo da idade da criança e do tipo de contato:
✓ Exposição precoce pode ser protetora
Algumas pesquisas indicam que conviver com cães no primeiro ano de vida pode reduzir o risco de desenvolver alergias no futuro.
Isso ocorre porque o sistema imunológico do bebê é estimulado de forma mais equilibrada.
✗ Exposição tardia pode sensibilizar
Quando a criança já apresenta:
- dermatite atópica,
- histórico familiar de alergia
- ou sinais de rinite,
o contato com altas cargas de alérgenos pode desencadear ou agravar sintomas.
Ou seja:
A resposta não é simples: depende da idade, genética e intensidade de exposição.
Principais sintomas de alergia relacionados a animais
Os sinais podem surgir minutos ou horas após o contato. Entre os mais comuns, estão:
- Espirros constantes
- Nariz entupido ou escorrendo
- Coceira nos olhos
- Olhos lacrimejando
- Tosse persistente
- Chiado no peito
- Falta de ar
- Manchas ou coceira na pele
Caso os sintomas apareçam especialmente após brincar, tocar ou dormir perto dos pets, isso sugere sensibilidade aos alérgenos do animal.
Como o pneumologista pediátrico identifica se o pet é o problema?
A avaliação inclui histórico clínico, exame físico e, quando necessário, testes específicos.
Principais métodos para investigação:
- Teste cutâneo (prick test)
Identifica sensibilidade imediata a alérgenos de gatos, cães e outros animais. - Dosagem de IgE específica no sangue
Detecta anticorpos contra proteínas animais. - Avaliação respiratória
Inclui espirometria e testes funcionais quando há suspeita de asma. - Análise ambiental
Considera rotina, hábitos da família e presença de alérgenos no ambiente.
Com isso, o médico diferencia alergia verdadeira de irritações inespecíficas, comuns em ambientes com poeira, pelos ou mofo.
Animais diferentes, riscos diferentes
Cada espécie e raça pode liberar alérgenos distintos. Além disso, há mitos que precisam ser esclarecidos.
Cães
- Não existem cães “100% hipoalergênicos”.
- Raças que soltam menos pelo ainda assim liberam proteínas alergênicas.
- Banhos frequentes podem ajudar, mas não eliminam o problema.
Gatos
- São os maiores responsáveis por alergias respiratórias.
- Produzem alérgenos altamente voláteis e persistentes no ambiente.
- Mesmo sem contato direto, as partículas podem permanecer na casa por meses.
Coelhos e roedores
- Podem causar alergias respiratórias e cutâneas.
- Urina e serragem ampliam a quantidade de partículas inaladas.
Aves
- Podem transmitir poeiras orgânicas e secreções sensibilizantes.
- Ambientes com gaiolas acumulam fungos e resíduos.
Apesar desses pontos, muitas crianças convivem muito bem com pets — desde que recebam acompanhamento adequado.
O convívio com animais pode ajudar na imunidade?
Sim. De acordo com alguns estudos, crianças expostas a uma variedade maior de micro-organismos presentes no ambiente dos pets desenvolvem:
- maior tolerância imunológica
- menor risco de dermatite
- menos sensibilização a ácaros
No entanto, isso não exclui o risco de alergias.
Por isso, é essencial avaliar caso a caso.
Como reduzir sintomas sem precisar afastar o animal?
Essa é a dúvida número um dos pais e, felizmente, existem soluções.
Com organização, tratamento e ajustes ambientais, muitas crianças alérgicas convivem bem com seus pets.
Medidas essenciais para o ambiente
- Limpar a casa com maior frequência
- Usar aspirador com filtro HEPA
- Lavar roupas de cama semanalmente
- Manter o quarto da criança sem acesso ao pet
- Evitar tapetes, cortinas pesadas e acúmulo de objetos
- Garantir boa ventilação
Essas ações reduzem drasticamente partículas alergênicas.
Cuidados com o animal
- Banho semanal (ou conforme orientação veterinária)
- Escovação em áreas externas
- Limpeza das patas ao voltar de passeios
- Manter vacinas e vermífugos em dia
- Higienização constante de casinhas, cobertores e brinquedos
Além disso, o uso de purificadores de ar pode fazer diferença importante.
Tratamentos médicos que ajudam a controlar alergias relacionadas a pets
O pneumologista pediátrico e o alergista podem indicar diversas abordagens dependendo da gravidade do caso.
Opções terapêuticas:
- Antialérgicos orais para controle dos sintomas
- Corticoide nasal para rinite persistente
- Broncodilatadores quando há sintomas de asma
- Imunoterapia (vacinas para alergia) para dessensibilização
- Plano de controle ambiental personalizado
A imunoterapia é especialmente útil em casos em que a retirada do pet não é uma opção.
É preciso remover o animal da casa?
Em grande parte das situações, não.
A remoção do pet é considerada apenas quando:
- há crises graves e recorrentes,
- os sintomas são difíceis de controlar mesmo com tratamento,
- ou a criança apresenta risco respiratório elevado.
Ainda assim, essa decisão deve ser tomada em conjunto com a família e o especialista.
Na maioria dos casos, um bom plano terapêutico permite uma convivência segura.
Prevenção: como evitar alergias ao adotar um pet?
Se a família planeja ter um animal e existe histórico de alergia, alguns cuidados ajudam:
- Preferir adoção antes dos 12 meses de vida do bebê
- Manter rotina regular de higiene do animal
- Priorizar ambientes bem ventilados
- Introduzir o pet aos poucos na rotina da criança
- Avaliar sinais precoces de alergia desde o início
- Realizar acompanhamento preventivo com pneumologista pediátrico
Prevenir é sempre melhor — e mais simples.
Animais de estimação podem causar ou agravar alergias em crianças, mas isso não significa que a convivência seja impossível.
Com diagnóstico adequado, ambiente organizado e tratamento correto, é totalmente possível manter o pet na família sem prejudicar a saúde da criança.
Se seu filho tem tosse, espirros frequentes ou crises após contato com animais, busque avaliação especializada.
O pneumologista pediátrico é o profissional que vai identificar a causa e orientar o melhor caminho.
Saiba mais e agende sua consulta:
➡️ Site oficial da Pulmolab
➡️ Blog Pulmolab
➡️ Instagram Dr. Wilson Rocha
Até o próximo!